Alguns insetos fêmeas, como determinadas espécies de bicho-pau, vem sendo estudados por rejeitarem a participação de machos para sua reprodução, produzindo uma espécie de anti-afrodisíaco para afastá-los. Elas alteram seus feromônios para ficarem imperceptíveis para pretendentes indesejados, mas mesmo que um macho as encontre e tente copular com elas, eles literalmente são chutados.  A razão para o comportamento é que “o sexo é caro”, de acordo com uma nova descoberta, publicada na revista americana Animal Behaviour.

Foto: divulgação

O comportamento das fêmeas chama a atenção porque, de uma um tempo para cá, algumas espécies começaram a mostrar preferência pela partenogênese, uma forma assexuada de reprodução onde o crescimento e desenvolvimento de um embrião acontecem sem que ele seja fertilizado por um macho. O fato é inusitado porque, até então, a partenogênese não era uma preferência, mas sim uma necessidade adotada por algumas espécies quando existiam poucos machos nas redondezas ou quando viviam isoladas.

Então, por que alguns animais passaram a fazer essa transição e como é que persistem na natureza? Afinal de contas, a reprodução sexual oferece benefícios como a diversidade genética.

Bem, de acordo com um estudo liderado pelo cientista Nathan Burke, da Universidade de New South Wale, essa “preferência” passou a existir quando algumas fêmeas perceberam que interações sexuais eram muito caras, e esses custos incluem tempo perdido à procura de companheiros, doenças venéreas, aumento do risco de predação, e um tempo de vida mais curto, explicam os autores. “O benefício da reprodução com a partenogênese é que as fêmeas podem evitar completamente os custos de sexo por produzir crias clonagem”, diz Burke ao portal New Scientist.

Para testar a hipótese de escassez companheiro contra a hipótese de conflito sexual, a equipe realizou uma série de experimentos com bichos-pau da espécie ‘Extatosoma tiaratum‘, que são capazes de se reproduzirem assexuadamente, mas não estão restritas à apenas esta forma de reprodução.

Na experiência com fêmeas,  eles descobriram que elas parecem neutralizar os custos de sexo usando “traços de resistência contra-evolucionais.” Fêmeas virgens pré-reprodutivas produziram um anti-afrodisíaco que repeliu os machos, enquanto as fêmeas partenogênicas alteraram seus feromônios para que elas ficarem imperceptíveis para os machos.

Outras fêmeas foram emparelhadas com machos e, para evitar o sexo, contraíram seus abdomens para tornar impossível para os espécimes de agarrá-las. Quando os machos mesmo assim tentavam copular, as fêmeas literalmente os chutaram com as patas traseiras. 

Se o comportamento continuar, isso não significa que não haverá mais machos no futuro. “Qualquer adaptação em fêmeas que reduz a probabilidade de atrair parceiros pode ser contornada, dependendo da situação, pelo sexo masculino, o que permite que os machos superar facilmente as barreiras do sexo feminino para o acasalamento”, acrescenta ele. “Eu acho que os homens estão aqui para ficar.”

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