Espécie de anfíbio recém-descoberta em MG pode ser ameaçada pela mineração

Espécie de anfíbio recém-descoberta em MG pode ser ameaçada pela mineração

0 209

Poucos meses antes do desastre ambiental que atingiu Mariana (MG), pesquisadores identificaram uma nova espécie de anfíbio que, até então, não havia sido vista na região. Apesar da descoberta ser recente, cientistas estão receosos sobre o habitat do animal, que pode ser afetado pela lama decorrente do rompimento da barragem de Fundão. As informações são da Folha de S. Paulo.

(Foto: divulgação/Zootaxa)

A nova espécie, nomeada de ‘Sphaenorhynchus canga’, é uma perereca de pele verde-translúcida que possui apenas 3 centímetros de comprimento. O animal vive em áreas em torno de 900m acima do mar, diferente da região em que a lama passou, na região dos vales. Mesmo assim, para os cientistas, a espécie pode ser ameaçada pelos impactos da mineração.

“Mesmo numa região tão degrada, ainda há espécies a serem descobertas, e algumas elas, ao que tudo indica, só existem ali”, explicou à Folha o especialista em anfíbios e répteis, Felipe Fortes Leite, da Universidade Federal de Viçosa.

A nova espécie, descrita em uma publicação na revista científica Zootaxa, foi descoberta antes do desastre em Mariana. A publicação, porém, aconteceu há pouco tempo. Segundo Leite, um dos pesquisadores que encontrou o animal, para chegar a conclusão que a ‘S. canga’ era mesmo uma nova espécie, os pesquisadores compararam a anatomia do bicho à de outros anfíbios do mesmo gênero.

Para os pesquisadores, a ameça à espécie se dá por ela estar adaptada unicamente à vida nos cangas, encostas ricas em ferro do interior de Minas que abrigam lagos. E justamente este habitat foi destruído nas últimas décadas pela mineração do ferro. Com o desastre em Mariana, o destino desta e de outras espécies pode ser preocupante, visto que as atividades da mineradora responsável estão, claramente, desregradas.

“A situação da bacia do rio Doce como um todo já era deplorável bem antes do desastre. Seria bom que isso fosse usado de lição para recuperar o rio e evitar tragédias parecidas”, ressalva Leite.

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma Resposta